Natal
Alberto Pimentel escreve, em “Vinte Anos de vida literária”, sobre o seu pai:
“Ele foi um dos últimos homens dessa geração quási extinta, que trouxeram do lar paterno a noção austera do dever e a impressão profunda dos bons exemplos domésticos. Tudo era antigo na educação desses homens, hoje já tão raros que viveram os primeiros anos da sua vida em plena atmosfera de tradições sagradas e invioláveis, e que professavam pelo passado um culto cotidiano, no meio de criados velhos, de velhas loiças da India, e de velhos retratos de avós falecidos. Todas as grandes solenidades religiosas não passavam sem comemoração doméstica; eram outras festas de família, muito íntimas e muito expansivas. O Natal, a Páscoa e os dias solenes da Igreja, eram esperados com júbilo, e celebrados com devoção tradicional. E sentar-se um pai à mesa, nesses dias memorandos, rodeado de todos os filhos e de todos os parentes, era para os homens da geração quási extinta um doce prazer patriarcal, puro e simples, e gôso perente da felicidade pela família“.
(actualização)
Contributo de RF:
“O passado é um país ideal onde se envelhece ao cabo de algumas horas de concentração”
Alberto Pimentel, “Vinte Anos de Vida Literária“