O quadro “Outros Tempos” (II)
Já tinhamos referido este quadro para introduzir o tema, passemos à explicação da sua importância.
Escreve Alberto Pimentel no seu “Fitas de Animatógrafo“:
“O pretexto do quadro é a passagem do regimento de infantaria 18, porta-machados à frente, pela estreita rua da Sovela, depois 16 de Maio, e hoje dos Martires da Liberdade…
Pessoas conhecidas no Porto d’aquela época - que remonta a quarenta anos de distância pelo menos - detém-se a observar esse espectáculo marcial, que tanto alvoroçava então, à falta de melhor, os transeuntes e moradores da cidade invicta e dormente. Na varanda do prédio, que separava as ruas da Sovela e do Coronel Pacheco, uma família assiste, ávida de sensações, à passagem do regimento.
…
Por agora apenas quero dizer que o homem de óculos escuros, mãos apoiadas sobre a varanda de ferro, que assiste à passagem do regimento, no prédio que separava as ruas dos Martires da Liberdade e do Coronel Pacheco, era meu pai, antigo médico portuense.
… E também são retratos, igualmente fieis, muitas das outras figuras do quadro: à direita, no plano da rua, Pedro de Amorim Viana, por antonomásia, o «Newton»; Francisco José Resende, Manuel José Carneiro, João Correia, professores da Academia de Belas Artes, e uma celebridade das ruas, o «José das Desgraças», protagonista do romance Anel Misterioso; à esquerda, presenceando o desfile do alto da sua «charrette», o glorioso avô dos «sportmen» portuenses, Ricardo de Clamouse Brown.”
Segundo AP, este quadro esteve exposto no Ateneu Comercial do Porto em 1908-09, pertencendo ao Dr. Severiano José da Silva (1865-1937).
Actualização:
Um artigo sobre o Dr. Severino José da Silva no Tripeiro de Maio deste ano: Os grandes vultos do Porto - O Dr. Severiano José da Silva.