Fernando António de Sousa Pimentel (1774-1853)

Artur de Magalhães Basto em “Os primeiros vinte anos da vida de Alberto Pimentel” escreve o seguinte sobre o avô de AP:

“Na vida deste homem houve um romance dramático, de que nasceu o pai de Alberto Pimentel (Fortunato), logo seguido da morte daquela que de amor se perdera pelo jovem bacharel coimbrão.

Entre um berço e um túmulo, o Doutor Fernando António de Sousa Pimentel, em plena mocidade, esmagado pela dor, aniquilado pelo desmoronamento de suas ilusões, decidiu renunciar à convivência e ao ruído do mundo. Fêz-se padre, e sendo em breve colado abade da freguesia de Silva Escura, na Maia, foi habitar entre sombrios pinhais gementes, na solidão do seu presbitério, revivendo na memória as tristes recordações da sua perdida felicidade. Aí durante longos anos esperou, resignado e tranquilamente, a morte - que só em 16 de Março de 1853 o veio arrancar dos seus melancólicos devaneios.”

Esta descrição de Magalhães Basto não é mais que um resumo do que escreve AP no capítulo “Memórias de uma família portuense” do livro “O Porto na Berlinda“.

Fernando parece destinado à vida religiosa antes de conhecer a sua suposta paixão, assim o atestam alguns assentos de baptismo da paróquia de São Mamede Infesta entre 1789 e 1797 em que surge sucessivamente como testemunha juntamente com Domingos Vaz Leite, que viria a ser seu cunhado. Era abade da paróquia, Cristóvão António de Oliveira Magalhães, que poderia ser seu parente (tio materno?) e que já tinha sido padrinho de baptismo de uma irmã de Fernando.

Entretanto em 1790, Fernando inscreve-se na Universidade de Coimbra para frequentar Instituta e a 12 de Junho de 1794 faz-se Bacharel.

Provavelmente depois de regressar de Coimbra apaixona-se por Maria Felícia Xavier de Oliveira Porto, filha de António José de Oliveira Porto, familiar do Santo Ofício e Cavaleiro da Ordem de Cristo, e de D. Maria Leocádia Angélica da Graça Andrade. Maria Felícia, que ficou orfã em 1804, vivia com a sua tia paterna Maria Inácia, viúva do Ten. António José de Sousa Pimentel (tio de Fernando), o relacionamento parece surgir naturalmente entre familia muito próxima.

Assumindo que Maria Felícia morre de parto, o que não foi até ao momento possível comprovar documentalmente, alguns factos parecem contradizer a versão aventada por AP.

Por um lado, Fernando só toma posse como Abade de Silva Escura a 26 de Outubro de 1823 ou seja 15 anos após a morte de Maria Felícia, assim o atesta AP no livro “Santo Tirso de Riba D’Ave” citando o documento da nomeação do avô. E há ainda o facto de em 1817, Fernando ter sido nomeado Almotacé, cargo que poderá ter desempenhado por alguns anos, segundo documento existente no Arquivo Histórico.

Tudo leva a crer que Fernando, ao invés de ter prontamente optado pela vida religiosa, se tivesse dedicado à educação de Fortunato e só depois, finda a tarefa, refugiado em Silva Escura. Fernando faz-se Abade em 1823 e Fortunato inscreve-se na Escola Médica em 1825.

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[...] avô paterno, Fernando António de Sousa Pimentel, bacharel em cânones, depois de um grande infortúnio de amor ordenou-se clérigo de prima [...]

[...] Alvará. Legitimação. Filiação: Fernando António de Sousa Pimentel. [...]

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