O que ficou por contar

Nos artigos anteriores refere-se a infância conturbada que teve Fortunato Pimentel, e que não passou unicamente pelo período de convulsões políticas.

Fortunato nasceu em Cedofeita no dia 8 de Agosto de 1808, tendo sido baptizado no dia seguinte em Leça do Bailio como filho de pais incógnitos e assistente em casa de Ana Maria da Silva, mulher de Luís da Silva, no lugar do Padrão do Araújo - Leça do Bailio. Presume-se que até pelo menos 1825, data em que se inscreve na Escola Médica, desconhecesse a sua verdadeira filiação embora, por certo, fosse acompanhado pela família à distância. O Dr. Maximiano Lemos refere, na sua obra “Camilo e os Médicos”, que a certidão usada para inscrição na Escola Médica é a citada e que no processo de matrícula o pai de AP assina apenas como Fortunato Augusto.

Fortunato termina o seu curso em 1830 e vê-se envolvido na Guerra Civil onde terá servido no Hospital de Sangue da Formiga (situado em Valongo?) pelas hostes miguelistas.

A 25 de Fevereiro de 1836 nasce na Sé, Isabel Júlia(1), filha de pais incógnitos, apadrinhada por Fernando de Sousa Pimentel e D. Francisca Fortunata de Sousa Pimentel, esta última residente na Rua de Santo Ovídio. Isabel foi o motivo do primeiro casamento de Fortunato, um misterioso casamento cujo assento teima em não aparecer, e que gerou mais duas filhas, Eulália e Maria Bárbara.

Fortunato casou assim, em primeiras núpcias, provavelmente depois do nascimento de Isabel com Maria Bárbara Pimentel Meireles, sua prima direita, filha da supra mencionada Francisca Fortunata de Sousa Pimentel.

Quem era então Fernando de Sousa Pimentel ? Nem mais que o pai de Fortunato e irmão de Francisca, a mãe falecera no parto(2). Fernando fizera-se Abade de Silva Escura com o desgosto da perda da mulher amada.

Nesta altura, várias teorias se levantam, parece provável que Fortunato tivesse vivido ou frequentado a casa da sua família, na Rua da Sovela em Cedofeita, antes de 1836, de que outra forma teria conhecido a sua prima Maria Bárbara? Por outro lado, as duas outras filhas nasceram em S. Martinho da Barca (Maia) em 1837 e 1838 respectivamente. Nesses assentos, Fortunato vem novamente referido como filho de país incógnitos, mas já como Fortunato Augusto Pimentel. Outra das curiosidades destes assentos é o facto de surgir num deles uma testemunha residente em Silva Escura, não há coincidências!! Por explicar fica o nascimento das duas crianças na Barca, já que seria natural que Fortunato, depois de casado com Maria Bárbara, fosse viver para a casa da Rua da Sovela.

Maria Bárbara falece a 21 de Agosto de 1846, não sem antes se lavrar o seu testamento, a 4 de Janeiro de 1846(3), onde Fortunato vem mencionado como Fortunato Augusto de Sousa Pimentel. Este é o primeiro documento que atesta a ligação familiar de Fortunato (sem a explicar). A sua verdadeira filiação, tal qual a conhecemos, vem descrita no assento do seu segundo casamento.

Assim, a 23 de Dezembro de 1848, casam em Miragaia, Fortunato Augusto Pimentel, filho natural do Dr. Fernando António de Sousa Pimentel e de D. Maria Felícia de Oliveira Porto, neto paterno do Dr. Francisco de Sousa Pimentel e de D. Maria Bárbara de Sousa Pimentel e materno de António José de Oliveira Porto e de D. Maria Angélica de Andrade, com D. Anna Olímpia Bragante de Almeida, filha legítima de João Sabino de Almeida e de Maria Amália Coelho Bragante.

Notas:

1 - Este nome não é escolhido por acaso, é o nome de uma irmã de Fernando e de Francisca;
2 - AP conta esta história em “O Porto na Berlinda”, e que vai originar um artigo a lançar aqui para esclarecer alguns pontos;
3 - Maria Bárbara já estaria em risco de vida em Janeiro de 1846, esse facto é referido no seu testamento.

Comments (2)

[...] aqui tinhamos falado do primeiro casamento de Fortunato Augusto [...]

[...] hoje na cidade Invicta. Foram pais de, entre outros, Francisco de Sousa Pimentel já referido neste artigo e sobre o qual falaremos a seu tempo. March 13th, 2006 in [...]

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