Fortunato Augusto Pimentel (parte II)
Órfão de poucos anos, Fortunato Pimentel lutou pela vida. Em 1825, contado dezassete anos de idade, começou a frequentar a Escola Médica.
Em 1832, com o seu curso concluído havia dois anos, atraído pelo convite de D. Miguel, foi servir como clínico no hospital de sangue da Formiga. O infante afeiçoou-se-lhe e, querendo-o distinguir, deu-lhe o hábito de Cristo, diploma e venera, e decretou-lhe a nomeação de professor da Escola Médica e a de médico da Casa Real. Todos estes sonhos de grandeza lhe caíram desfeitos pela Convenção de Evora Monte, em 1834, no entanto, o Dr. Fortunato Pimentel ficou sendo o médico queridos pelas principais famílias miguelistas do Porto.
Submeteu-se honestamente ao novo regime, não combateu os que servira nem serviu os que combatera. Exercia os seus direitos políticos sem fazer propaganda partidária e votando sempre no partido conservador, a Regeneração. Assim se fazia estimar por todos, e, sem perder a simpatia das famílias realistas, tinha a amizade de todos os partidos.
Enviuvando e, passando a segundas núpcias, aumentando-lhe os encargos de família, precisou alargar a área do seu trabalho. Solicitou e obteve o lugar de facultativo interno do Hospital Real de Santo António (Misericórdia), lugar que serviu com muito zelo mais de trinta anos. No fim deste tempo a Mesa, querendo aliviá-lo no seu trabalho, em razão da idade, passou-o para o externo, por ser serviço menos duro, e três meses antes do seu falecimento fora aposentado com o ordenado por inteiro. Era também facultativo dos asilos e enfermaria de presos, estabelecimentos dependentes da Santa Casa.
O Dr. Fortunato Pimentel prestou também relevantes serviços ao Porto durante as epidemias da cólera e da febre-amarela. Nos relatórios oficiais aparece com louvor o seu nome, como um dos clínicos que mais se distinguiram pela sua dedicação.
O benemérito Dr. Fortunato Pimentel foi pai do distinto escritor e jornalista Alberto Pimentel e do nosso colega João Pimentel, da redacção do Jornal do Comércio e Colónias, de Lisboa.
D.P.
in “O Tripeiro” - Série III - Ano I - págs. 181,182
